Quatro anos depois do início das corridas de rua, por volta de 1968, aqueles encontros já faziam muito sucesso. Mesmo nas ruas empoeiradas, sem qualquer segurança ou conforto, o público que assistia às disputas só aumentava. Foi aí que surgiu a necessidade de transferir as competições para um local mais adequado, com uma estrutura melhor e espaço para acolher as famílias dos pilotos e todos aqueles que apreciavam o esporte. Empenhados nessa ideia, foi no Café Senadinho que os amigos, liderados por Zilmar, resolveram adquirir uma área.

Naquela época, as terras não valiam muito. O Paraná vivia o ciclo da madeira e, esta sim, valia ouro. Danilo Scanagatta, Adolfo Cortesi, Algacyr Biazetto e meu pai confiaram ao corretor Nezio Cunha o desafio de encontrar a melhor área. Ele chegou à propriedade de 30 alqueires de mata da família Nazzari. Pouco tempo depois, foram adquiridos mais dez alqueires, totalizando 40 alqueires no total. Alguns relatos dão conta de que estes dez alqueires teriam sido doados. Não foram. Foram comprados. Esta foi mais uma inverdade possivelmente disseminada por má-fé, para diminuir a importância da S/A.

O que faltava em dinheiro sobrava em sonhos. Sem recursos suficientes para pagar à vista pelo terreno às margens da BR 277, os proprietários concordaram em receber Cr$ 40.000,00, sendo metade à vista e o restante em dez parcelas de Cr$ 2.000,00. Em valores atualizados, o valor desembolsado pela ousadia do grupo S.A. em cifras hoje estaria na casa dos milhões. Esse foi o passo decisivo para dar a Cascavel o que viria a ser o primeiro autódromo asfaltado do interior e o quinto do Brasil.

Incrível, mas naquela época, apesar da falta de maquinário e tecnologia, tudo fluía muito rápido. As pessoas envolvidas eram muito esforçadas. O desejo de deixar as ruas de terra do centro da cidade e voar no chão da nova área movia aqueles homens. Após a aquisição, deu-se início ao desmatamento e construção do traçado da pista.

João e Santina Nazari, proprietários da área comprada para a construção do autódromo. Imagem retirada do livro “Cascavel em alta velocidade – 50 anos de automobilismo”, de Alceu e Regina Sperança.