\“Quando cheguei em Cascavel, vindo de Guaporé (RS), para ser vendedor numa empresa em que o Zilmar era sócio, fui acolhido de braços abertos por ele e sua esposa, dona Olinda. Vim, inicialmente, a convite do primo dele, o André Costi (que também veio morar em Cascavel para trabalhar com o Zilmar), mas foi com o Zilmar que os laços se estreitaram, até mesmo porque eu tive uma experiência lá no Rio Grande do Sul com automobilismo. Sou um dos dez fundadores do Autódromo Internacional de Guaporé. Bem, fiquei morando um período na casa deles e tenho uma gratidão imensa por isso. Ao longo da minha vida procurei demonstrar este sentimento e, quando ele ficou doente, eu ligava toda semana, mas não tive coragem de vê-lo naquele estado. A dor que ele sentia, eu também sentia. Um homem de coração gigante que estava sempre disposto a ajudar a comunidade. Ele se envolvia em tudo, e o mais bonito disso, sem nenhum interesse financeiro. Autódromo, cinema, colégio, igreja, clube, enfim, onde tinha um projeto coletivo, lá estava o Zilmar, sempre muito cordial. Acompanhei sua luta no autódromo e tenho uma lembrança muito viva dele levando carne e bebida todas as tardes para confraternizar com os trabalhadores. Isso era padrão. Ele idealizou o autódromo, trouxe outros sonhadores para o seu lado, e praticamente abandonou tudo, sacrificando negócios e a família, para vê-lo construído. E viu. Só não teve o justo reconhecimento. Por isso, estou muito feliz em participar deste resgate histórico porque quero ser testemunha disso. Não por ter trabalhado com o Zilmar, não por ter morado com ele, não pela amizade, mas quero ser justo: o autódromo de Cascavel só saiu pela vontade dele e de um pequeno grupo que o acompanhava. Sempre carreguei este sentimento de justiça. Certa vez até liguei para o André Costi, que era proprietário do jornal O Paraná, epedi para fazer uma matéria nomeando de fato o fundador e idealizador do autódromo. Ficaram receosos, mas fizeram. De certa forma, este gesto me trouxe um alívio, pois era uma homenagem a quem merecia\”.
JOÃO CAMPOS, empresário, ex-piloto e um dos dez fundadores do Autódromo Internacional de Guaporé (RS).