O biênio 1970-1971 foi um marco para o automobilismo cascavelense, com provas importantes no contexto não apenas regional, mas nacional. O autódromo foi palco de duas disputas importantíssimas. Em 1970, a primeira no dia 07 de setembro, vencida pelo curitibano Sérgio Valente, Jaci Pian na segunda colocação e, em terceiro, Mozart Delattre. Dois meses depois, acontecia a 2a Cascavel de Ouro, e, novamente, Valente conquistou o primeiro lugar no pódio, seguido pelo curitibano Carlos Eduardo e José Chemin, de Guarapuava. Na quinta posição, estava o empresário Pedro Muffato. A prova deu ainda mais visibilidade para o autódromo e atraía cada dia mais pilotos de renome.
Desde as primeiras corridas, por volta de 1964, nenhum evento seria tão marcante para o projeto dos amigos quanto aquela competição. Quem acompanhou de perto a história do autódromo sabe disso. A pista de corrida, cujo traçado saiu da mente engenhosa do meu pai, já havia se tornado um templo para os amantes da velocidade e o autódromo um atrativo turístico para famílias inteiras de Cascavel, região e das cidades de origem dos competidores.
No dia 14 de março daquele ano (1971), o autódromo sediou o Campeonato Estadual, por iniciativa da Federação Paranaense de Automobilismo. Os pilotos Altair Barranco, Jaci Pian e Juca Baldo, nesta ordem, venceram a disputa. Foi a consolidação de um projeto entre amigos e tudo seguia como num sonho.
Na quinta e última etapa do Campeonato Paranaense, no dia 12 de setembro, Pedro Muffato, que havia amargado a quinta posição na 2a Cascavel de Ouro, a menos de um ano, conquista seu primeiro pódio, deixando para trás Jaci Pian, José Castilho e outros expoentes do automobilismo. No dia 16 de novembro, Muffato venceu também a 3a Cascavel de Ouro, seguido por José Chemin e Jaci Pian. Nesta prova, quem liderava era Pedro Vitor Delamare, que meu pai trouxe de São Paulo pagando do bolso as suas despesas, pois tratava-se de um grande ídolo. Porém, seu carro quebrou, dando vitória ao Pedro. O que ninguém imaginava, principalmente meu pai, é que Pedro Muffato desejava muito mais que o lugar mais alto do pódio em uma prova de automobilismo, ele almejava a política.
Ao final de 1971, o Autódromo de Cascavel, mesmo com a pista ainda de terra, já havia conquistado credibilidade para grandes eventos. Mas não é só isso. Na Cascavel em início de desenvolvimento, o autódromo se consolidava como um importante empreendimento de esporte e turismo da cidade. Depois de crescido, ouvindo as histórias e reunindo jornais e documentos da época, pude compreender o papel do meu pai e dos amigos que trabalharam duro para torná-lo realidade.
Na entrega dos prêmios do automobilismo, uma homenagem foi feita ao grande presidente Zilmar Beux, com todos os presentes aplaudindo-o de pé. Uma homenagem justa pois o trabalho desenvolvido por Zilmar na organização da maior prova automobilistica já realizada no Paraná, foi um dos fatores do sucesso da competição. Zilmar Beux mereceu a homenagem. Ele também recebeu o prêmio pois com sua carreteira teve uma boa colocação.
A terceira Cascavel de Ouro foi o marco financeiro para o asfaltamento da pista. E, ironicamente, o trabalho do meu pai e o sucesso desta prova foram fundamentais para o Muffato se eleger no ano seguinte. O cartaz acima foi escaneado do original.