A curva do tempo

Houve um tempo no nosso país que fronteiras foram abertas pelos braços, a coragem e a bravura indômita de pioneiros que, independentemente do governo e governante da ocasião, palmilharam caminhos, abriram estradas, venceram serras, vadearam rios, drenaram pântanos, domaram florestas e planícies, transformando paisagens ermas em cenários de produção e riqueza. Novos bandeirantes, tinham nas mentes os sonhos, nos olhos a paixão, nos braços a vontade e a determinação do fazer, do criar, do construir.

A cidade de Cascavel, no Oeste paranaense, é um exemplo acabado desses novos e modernos desbravadores. E, não menos importante, a história da criação e implantação de seu autódromo – assunto que é o mote deste livro - é uma saga que, longe de pertencer somente a uma pequena legião de aficionados do esporte, repete em menor escala todos os ingredientes que se fizeram necessários e participaram da fundação e desenvolvimento da cidade pelos seus pioneiros.

Este livro, antes de ser uma homenagem de um filho à obra e legado de seu pai, é um resgate histórico que, esperamos, seja definitivo. Baseado não em rumores ou dizeres, mas em farta documentação de caráter histórico e consistentes depoimentos pesdendo ao chamado de seu pai Zilmar Beux, foram os reais parceiros e protagonistas desta grande saga. São os inominados, os esquecidos, os “invisíveis”, que agora retornam do anonimato a que foram – voluntariamente ou não - relegados, para que vejam aqui revelada a verdade histórica e lhes sejam prestadas as homenagens e o reconhecimento devido pelas suas crenças, suas vontades férreas, suas imensas capacidades de acreditar e fazer.

A todos eles, fica o nosso agradecimento eterno. A eles, fica o nosso compromisso de manter vivas as suas memórias e o reconhecimento da glória anônima. Não os esqueceremos jamais.

Joaquim Lopes

Escritor, Blogueiro, Pesquisador e Historiador de Automobilismo