Curitiba, Terça-feira, 19 de Dezembro de 1972.
Zilmar Beux é o líder de um grupo de empresários que assumiu a responsabilidade do autódromo. Um empréstimo de 600 mil cruzeiros jpa foi liberado. A primeira fase será o asfaltamento da pista, que deverá estar pronta em fevereiro de 73.
Um cidadão de Cascavel costuma dizer: \“Ciúme de homem é pior que de mulher, e, em Cascavel, tem muito homem ciumento\”. Concordo plenamente com ele
Correr era o hobby preferido dele, um cara empreendedor e que investiu, literalmente, no desejo de difundir o esporte. Mesmo numa cidade com pouco mais de 100 mil habitantes, ainda começando a se desenvolver, meu pai já pensava grande, tinha uma visão futurista e muitos planos. Hoje, eu posso afirmar, sem medo de errar, que as corridas eram a grande paixão e, até então, o autódromo ocupava grande parte do seu tempo e sua atenção.
É preciso lembrar que foi de origem particular cada centavo investido na construção do autódromo. Ele fez tudo com muito amor, com a intenção de incentivar ainda mais o esporte. Não pensava construir apenas um circuito. Sua intenção era tornar o autódromo de Cascavel um complexo de esporte automobilístico e turismo, dotado de infraestrutura para alimentação, camping, hotel e tudo que fosse necessário para atrair nomes importantes do automobilismo brasileiro e ser autossuficiente.
Uma das engenhosidades do meu pai nas obras do autódromo foi ele mesmo desenhar o traçado da pista, o que se pode considerar hoje uma grande proeza, afinal, não era engenheiro. Era mecânico e um empresário inteligente. Com a mudança da pista de terra para asfalto, era preciso a assinatura de um engenheiro. Foi aí que entrou o Ciro Bucaneve.
Ninguém, porém, acompanhou e vivenciou cada momento do autódromo como “seo” Zilmar. Ele desenhou o traçado, abriu a pista, pilotou, assumiu compromissos que até comprometeram a estabilidade financeira da família. Na fase do asfaltamento, mudou-se para o autódromo e lá ficou acampado até a conclusão. Não havia, na época, qualquer outra obra de tamanha grandeza em andamento em Cascavel e na região.
Mesmo hoje, mais de 50 anos depois, não há qualquer empreendimento que tenha projetado a cidade de forma tão positiva quanto o autódromo. Sem falar no pioneirismo do trabalho cooperativo de planejamento e execução das obras. Meu pai tinha tanta certeza que tudo aquilo daria certo, que ao final do ano, com o fim das provas de 1973, haveria recursos para saldar todas as dívidas.