De pai para filho, a paixão por velocidade

Avallone pela primeira vez na pista em Cascavel. Durante a produção do livro, o Avallone recebeuy o motor Chevrolet de 6 cilíndros (que era original na época) feito pelo mecânico Alemão.

Lá se foram quase dez anos. Meu Avallone finalmente está pronto. É quase inacreditável. Foram dias e noites de muito trabalho para realizar um sonho que eu trazia na memória desde a infância. Quando enfim aceitei assumir minha parte na questão do autódromo, achei que seria a hora certa de realizar o sonho de infância de ter meu Avallone, achei que precisaria de uma “vitamina” de motor e rodas para ter o ânimo para encarar o que me aguardava. Tudo começou na oficina do Cláudio Deitos, que teve uma participação muito importante, principalmente na montagem do câmbio, o Hewlland DG 300 de Fórmula 1, funcionando perfeitamente até hoje.

Foi ele quem fez também a primeira versão do motor. Em seguida, tive ajuda de Sandro Machado, Mário Mourisca, Alexandre de Araújo, o Catarina, e Edelberto Evangelista, o Jegão. Houve muito trabalho de torno do Vilmar, da Amazul, entre outros amigos e profissionais. Quando vi, já tinha montado minha própria oficina para terminar o carro, que tem as minhas mãos em toda e qualquer peça e parafuso.

A nova versão do motor - Ford 302 - perfeita, e que tem me deixado muito satisfeito, tem as mãos e a habilidade do Maurício Henrique, da MHP Muscle Cars, uma oficina de carros antigos, de Cascavel. O conta-giros, um Smiths, o mesmo que equipava os Fórmula 1 da década de 1970, foi um presente do piloto paranaense José Bornemann.

Em julho de 2016, o carro estava pronto. É uma relíquia. Não tive a intenção de produzir um carro para corridas, mas para curtir, para ficar admirando e, claro, fazer algumas apresentações com ele. Confesso, na primeira vez que desci o “curvão”, me emocionei. Na primeira volta, um choro de satisfação.

Para ser bem sincero, minha ficha ainda não caiu. Naquele momento, eu medei conta que havia não apenas construído o carro dos meus sonhos de infância, mas estava reescrevendo um capítulo importante de uma história que começou há mais de 50 anos, protagonizada por um homem à frente do seu tempo e apaixonado por carros e por velocidade: Zilmar Beux, meu pai. Aprendi com ele a paixão por carros e corridas. Aos cinco anos de idade sonhei ter um carro desses pra mim...

Portanto, a viagem que vamos fazer a partir de agora é para contar um poucoquem foi meu pai e falar da contribuição dele para o automobilismo em Cascavel, no contexto estadual e nacional. Mais que isso. De forma despretensiosa, porém justa e transparente, quero contar a história sob outra ótica, apresentando documentos históricos e desvelando alguns fatos dos bastidores da idealização e construção do Autódromo Internacional Zilmar Beux.